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domingo, 16 de novembro de 2014

MOOLAADE

Los hombres aferrados a una antigua tradición religiosa no sólo se enfrentan a unas cuantas mujeres decididas a salvar a sus hijas del peligro de la operación, sino también a otro grupo de hombres y mujeres que lo consideran una barbaridad.

La película no se limita a mostrar el horror de la mutilación genital femenina, también ofrece una ambiciosa declaración política de cómo se moldea la libertad de las mujeres en una sociedad.

Por primera vez en una película africana, hay escenas sexualmente explícitas que ilustran la agonía física y mental de la ablación.

Ousmane Sembene, uno de los directores africanos más aclamados y el primero que fue reconocido internacionalmente (Premio Jean Vigo), intenta, a través de esta película, alertar a la comunidad internacional acerca de un ritual que no sólo se practica en África.



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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Liberdade

Para o homem, ser livre significa ser reconhecido, considerado e tratado como livre pelos outros, por todos os seres humanos que o circundam. A liberdade, portanto, não é em absoluto uma questão de isolamento, mas de reconhecimento recíproco, ela não é uma questão de recolhimento, mas ao contrário,  de associação.  A liberdade de todo homem não é senão o reflexo de sua humanidade ou de seus direitos humanos na consciência de todos os homens livres, de seus irmãos e companheiros.

Mikhail Bakunin

sábado, 21 de junho de 2014

Guia da Fundação Getulio Vargas aconselha manifestantes a se camuflarem

Em tempos onde as tecnologias cada vez mais avançam na vigilancia dos individuos, o controle e o cerceamento das liberdades individuais, esta iniciativa da FVG e demais ONGs é mais do que oportuna.





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Sobre o projeto

A plataforma digital Protestos.org tem como objetivo resguardar os direitos de privacidade e liberdade de expressão dos cidadãos nas ruas e na rede, sensibilizando e capacitando ativistas contra o aumento da vigilância e das violações de direitos.
A Protestos.org tem especial importância num contexto com tantos megaeventos como os que estão ocorrendo atualmente no Brasil. Com o pretexto de garantir a ordem e controlar as vozes insatisfeitas durante a Copa do Mundo e nas Olimpíadas de 2016 , o governo brasileiro investiu pesado em equipamentos de segurança e ampliou a capacidade de coleta de dados online para fins de inteligência. Foram integrados bancos de dados nacionais e internacionais e ampliados acordos de cooperação, como, por exemplo, com a Interpol. Assim, direitos fundamentais têm sido desrespeitados e esta nova plataforma busca evidenciar essas violações.
A Protestos.org é uma plataforma disponibilizada para informar sobre as tecnologias que manifestantes e ativistas podem usar para garantir seus direitos de liberdade de expressão e protegerem-se contra violações, censura e abusos.
O destaque do projeto é o guia “Vai protestar? Proteja-se!“. Ilustrada, a publicação contém informações de fácil entendimento sobre o uso de tecnologias que protegem a privacidade. Através dela, os manifestantes podem também munir-se de dicas jurídicas sobre seus direitos e estratégias de mitigação de riscos em caso de vigilância ou abuso de poder antes de ir para as ruas.
A plataforma tem ainda uma sessão para que cidadãos submetam relatos de casos de violações que viveram ou presenciaram durante protestos e manifestações e ainda proverá notícias e informes sobre o assunto.
O projeto é uma iniciativa da ONG Artigo 19 e do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, mas conta com a parceria de outras organizações da sociedade civil, especialistas em segurança da informação, ilustradores, roteiristas, jornalistas e desenvolvedores. Todos têm interagido de forma criativa para traduzir conceitos de Direito ou de Segurança das comunicações de forma artística e tangível para o público em geral.

Vai Protestar? Proteja-se

Ninguém está 100% seguro, mas há algumas coisas que você pode fazer para se proteger antes de sair para as ruas. este guia vai te dar umas boas dicas.

Leitura e suporte

1) Guia Proteção do Direito de Liberdade de Expressão durante
Manifestações e protestos
Neste link você vai encontrar algumas dicas e sugestões sobre como proceder nas manifestações e como você deve reagir em algumas situações de risco, por exemplo, em casos de abordagem ou repressão policial, ou mesmo caso vc venha ser detido em algum protesto.
2) Guia como filmar a violência policial em protestos – A19 & Witness
Trata-se de um guia bem detalhado sobre como fazer filmagens em manifestações, atentando-se à segurança de quem filma, à segurança e privacidade dos manifestantes, a reproduzir a maneira mais efetiva sobre como filmar uma violação ou abuso policial para que se torne uma prova judicial. Há também uma seção que explica quais os direitos ao filmar em um protesto (sobre o direito de filmar ações policiais, sobre o direito do policial pedir o fim da gravação ou mesmo pedir que se apague um trecho gravado, etc…)
Guia [PDF]
3) site protestos em 2013
Neste site você encontra uma plataforma interativa e multimídia com inúmeras informações sobre as manifestações que ocorreram no ano de 2013 no Brasil. São informações como o número de detidos, o número de feridos e/ou mortos em contexto de protestos, o número de protestos em que houve o emprego de armas menos letais ou armas de fogo, enfim um verdadeiro raio-x, com especial enfoque nas violações cometidas pelos agentes e autoridades públicas.
www.artigo19.org/protestos
4) Formulário Witness
Trata-se de um formulário que deverá ser preenchido por voluntários de forma a se criar um valioso banco de dados com respaldo de imagens ou vídeos acerca de violações cometidas durantes as manifestações na Copa.
5) Tem boi na linha – CMI rio
Este é um site com uma bela diagramação que reúne várias dicas e orientações sobre como se proteger do vigilantismo na internet. Indicações sobres meios de como se comunicar e navegar protegendo sua privacidade (uso de email criptografado, aplicativos de bate-papo seguros, uso navegador que não te rastreia, etc…). Estas são informações valiosas, em epscial para movimentos sociais e defensores de direitos humanos, que podem acabar sendo alvo de espionagem cibernética, afetando suas atividades e ações.
https://temboinalinha.org/
6) Linha do tempo de mortos e feridos nos protestos – CMI-Rio
É um site colaborativo que busca dar visibilidade a casos de violência ocorridos a partir de junho de 2013. Está formatado como uma linha do tempo, o que ajuda a contextualizar e compreender como se deram as agressões.
http://mortoseferidosnosprotestos.tk/
7) Página especial da Defensoria Pública do Estado de SP
É um site especial da Defensoria Pública de São Paulo, que reúne informações sobre a comissão especial e os plantões dessa comissão que atuará em casos específicos durante a Copa do Mundo de 2014, visando coibir abusos de direitos da população, em especial em contexto de manifestações.
http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/
8) Folder da Defensoria: Direito das pessoas nas manifestacoes
Este é o folder que foi veiculado pela Defensoria, com o resumo do conteúdo do site acima. Além disso conta com informações como números de telefone de contato e leis que protegem o cidadão em casos de abusos de direitos.
[PDF]
9) Site comite popular da copa em sp
Este é o site do Comitê da Copa, que é um grupo aberto e horizontal de articulação de várias redes e movimentos, e que objetiva a defesa de direitos humanos, englobando o direito à cidade, à moradia, trabalho decente formal e informal, etc… visando sempre a denúncia de violações e abusos destes direitos, em especial no contexto da Copa. Neste site, você encontra um portal das atividades do Comitê, além de diversas notícias sobre o tema.
http://comitepopularsp.wordpress.com/ 
10) Guia Na Rua: Manual para pessoas manifestantes
Mais um guia com informações e orientações sobre o que levar, como se programar, como reagir e como reduzir danos em uma manifestação. Também conta com orientações em casos de abusos policiais e em caso você seja detido pela polícia.
http://www.calameo.com/read/003562786d3fb9498e998
11) site Na Rua. É possível fazer denúncias
Este é um site do coletivo de direitos humanos Urucum, de Fortaleza-CE, e que objetiva a reunião colaborativa de denúncias sobre possíveis abusos de direitos humanos, em especial no contexto de abusos cometidos “Na rua”, ou seja, em manifestações.
http://www.urucum.org/narua/
12) Manual prático do manifestante 2.0 – Advogados Ativistas
Este também é um guia sobre como proceder nas manifestações, com importantes dicas e orientações jurídicas acerca do tema, no casos de abusos e abordagens policiais.
13) Kit Materiais para Ativistas – Greenpeace
Este site da Greenpeace, reúne diversos materiais com dicas e orientações sobre resistência não violenta e como agir criativamente numa manifestação, com dicas e insEruções como fazer cartazes, stencils, banners, campanhas, etc…
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Participe/faca-voce-mesmo/
14) Manual de segurança para cobertura de protestos – ABRAJI
É um guia elaborado a partir de entrevistas com repórteres agredidos, presos ou hostilizados durante os protestos a partir de junho de 2013, que tem como objetivo oferecer informações úteis para que jornalistas se protejam e tentem evitar ser agredidos durante a cobertura de protestos. Tem em versões em inglês e espanhol também.
http://www.tribunahoje.com/noticia/105911/noticias/2014/06/11/abraji-lanca-manual-gratuito-de-seguranca-para-cobertura-de-protestos.html
15) Video about protests in 2013 – Witness
Vídeo que compila diversas imagens e trechos de vídeos sobre os protestos que ocorreram em 2013 no Brasil, em especial no mês de junho. O vídeo reúne em especial momentos de abusos e violência policial. O vídeo serviu de base para o começo da apresentação na CIDH da audiência temática sobre protesto em março/2014 e que teve a Artigo 19 como um de suas peticionárias.
http://www.youtube.com/watch?v=BOPJVbksd9g
16) Campanha mundial contra repressão aos protestos durante a Copa do Mundo – Anistia Internacional
É uma campanha mundial, envolvendo mais de 20 países onde a Anistia Internacional está presente, que pretende reunir o máximo de assinaturas possíveis para enviarem à presidente Dilma Rousseff para que se garanta o livre direito de manifestar e expressão.
http://anistia.org.br/direitos-humanos/blog/anistia-internacional-lan%C3%A7a-campanha-mundial-contra-repress%C3%A3o-aos-protestos-du

Assistência Jurídica – Cidades sedes da copa

São Paulo
http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/repositorio/0/documentos/ccsai/FolderCopa.pdf
http://advogadosativistas.com/
http://www.sasp.org.br/
Rio de Janeiro
Instituto de Defensores de Direitos Humanos – Avenida Presidente Vargas, 446 / Sala 1205
/ Rio de Janeiro – RJ – Brasil Telefone: +55 (21) 2252-6042 – https://www.facebook.com/Porqueeuquis/posts/526189924170837
Porto Alegre
http://www.defensoria.rs.gov.br/conteudo/21814/defensoria-publica-elabora-plano-especial-de-atuacao-na-copa-do-mundo
SAJU UFRGS: http://www.ufrgs.br/saju/
Salvador
http://www.oab-ba.org.br/single-noticias/noticia/oab-da-bahia-cria-subcomissao-para-o-caso-de-manifestacoes-de-rua-durante-a-copa/
http://www.defensoria.ba.gov.br/portal/index.php?site=1&modulo=eva_conteudo&co_cod=11266
http://www.defensoria.ba.gov.br/portal/index.php?site=3&modulo=eva_conteudo&co_cod=11242
SAJU UFBA – Não tem uma pauta específica para a Copa, mas mantém a assistência.
Contato:
http://sajubahia.blogspot.com.br/p/contato.html
https://www.facebook.com/crdhdesalvador
Natal
http://www.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=32347&ACT=null&PAGE=null&PARM=null&LBL=NOT%C3%8DCIA
http://www.defensoria.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=32349&ACT=&PAGE=&PARM=&LBL=NOT%CDCIA
http://www.gajop.org.br/
Fortaleza
Defensoria Pública – plantões nos seguintes pontos:
Delegacia do Turista – Avenida Almirante Barroso, 805 – Praia de Iracema
Núcleo de Atendimento Jurídico Especializado do Adolescente em Conflito com a Lei (NUAJEA)
- Rua: Tabelião Fabião, 114 ? Bairro Olavo Bilac
6ª UJECC – rua Santa Efigênia n.305, Messejana;
11ª UJECC – Rua do Lago 340, Tancredo Neves;
12ª UJECC – Rua Osvaldo Crus 940, Aldeota;
19 ª UJECC – Rua Betel 1330, Itaperi.
URUCUM DIREITOS HUMANOS – tel: 8559.2478/9905.2156
http://www.urucum.org/narua/contatos/
http://www.urucum.org/narua/denuncie/
Manaus
Plantão da Defensoria Pública (na Avenida Umberto Calderaro Filho, 210 – Adrianópolis, das 08h às 18h). Nos dias de jogos em Manaus, uma equipe estará prestando atendimento também nas instalações da Arena da Amazônia, na zona centro oeste de Manaus.
Cuiabá
A Defensoria do MT não tem uma pauta ou agenda exclusiva para a Copa. Contato:
http://www.defensoriapublica.mt.gov.br/portal/index.php/nucleos-e-coordenadorias/item/8514-coordenadoria-de-direitos-humanos
http://www.defensoriapublica.mt.gov.br/portal/index.php/fale-conosco
Curitiba
http://www.defensoriapublica.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=183&tit=DPPR-tera-atuacao-especial-durante-os-jogos-da-
Copa
http://terradedireitos.org.br/contato/
Núcleo de Prática Jurídica – UFPR/PUCPR
http://www.cidadao.pr.gov.br/modules/catasg/catalogo.php?servico=886
Brasília
http://www.defensoria.df.gov.br/?p=16623
http://www.portalpopulardacopa.org.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=603:calend%C3%A1rio-de-lutas-comit%C3%AA-df
Belo Horizonte
Plantões da Defensoria de MG
Plantão presencial nos eventos em Belo Horizonte:
• Juizado do Torcedor e no Juizado da Infância e Adolescência – Mineirão
• 6ª Delegacia de Polícia Noroeste – bairro Alípio de Melo
Dias 12, 14, 17, 21, 23 e 24 e 28/06 e 08 de julho. Horário: de 12h às 24 horas.
• Juizado Especial Criminal
Dias 12, 14, 15, 17, 21, 22, 23, 28 e 29 de junho e 05, 12 e 13 de julho. Horário: de 12h às 24 horas.
• Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator
Dias 15, 22 e 29 de junho, de 07h às 13 horas.
Dias 13, 18, 24, 25 de junho e 09 e 14 de julho, de 08h às 12horas.
http://www.defensoria.mg.gov.br/expediente-da-dpmg-nos-dias-de-jogos-do-brasil-na-copa/


https://protestos.org/ 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

“El cuerpo debe ser nuestro. Ni del estado, ni del mercado”

Hablamos con Silvia Federici, la feminista del momento.


Por: ,  
 

“El cuerpo debe ser nuestro. Ni del estado, ni del mercado” | PlayGround | Articulos Musica
 
 

Silvia Federici estuvo la semana pasada en Barcelona y arrasó. Ella cree que hace falta un nuevo movimiento feminista, no necesariamente compuesto sólo por mujeres, que vuelva a poner en el centro los trabajos reproductivos. Tras Calibán y la bruja, la obra que la catapultó a la fama internacional, ahora publica Revolución en punto cero.

Miércoles 7 de mayo. Una larga cola sale del Ateneu Cooperativo La Base en Barcelona: la gente espera a escuchar una charla. Al día siguiente, el aula de la Universitat Autónoma de Barcelona en la que se realiza la misma conferencia se queda pequeña. Hay asistentes sentados en el pasillo, sobre las mesas, asomados a la puerta. A lo largo de toda su gira, se prevé la misma asistencia.

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Hablamos de Silvia Federici, la feminista de moda que, a sus 72 años, obtiene un reconocimiento del que nunca antes había gozado. Está de gira, invitada por la Fundación de Los Comunes presentando su nuevo libro Revolución en punto cero. Reproducción, trabajo doméstico y luchas feministas, que edita la editorial Traficantes de Sueños. Es la misma editorial que publicó en castellano la obra que hizo a Federici mundialmente conocida: Calibán y la bruja. Mujeres, cuerpo y acumulación primitiva.
Federici nace en Parma, Italia, en 1942. Allí da sus primeros pasos en el activismo. En 1967 se traslada a Estados Unidos, donde participa activamente en el movimiento estudiantil, las movilizaciones contra la guerra de Vietnam, el movimiento por los derechos civiles y, sobre todo, el movimiento feminista. En los ochenta vive en Nigeria, dando clases en la Universidad de Port Harcourt y participando en organizaciones de mujeres en lucha contra las políticas de ajuste estructural. Hoy es profesora de Filosofía Política en la Universidad Hofstra de Long Island, Nueva York.

Su pensamiento está poderosamente influido por el marxismo operaísta, si bien siempre ha sido crítica con los autores más relevantes del mismo como, por ejemplo, Toni Negri o Paolo Virno. Mientras ellos consideraban central la transformación tecnológica y el trabajo inmaterial, ella ha desarrollado su obra en torno al mecanismo de acumulación por desposesión desde una perspectiva de género.

Hablamos con ella mientras tomamos un café que, para su desgracia, no es un verdadero capuccino.


"Si, por ejemplo,pides un crédito para estudiar, ya estás atrapada: no vas a poder elegir el tipo de trabajo; tal vez necesites dos empleos, no te atreverás a reclamar derechos para no quedarte en paro porque tienes deudas"

En Nigeria te das cuenta de la importancia de la deuda, un tema que ahora es central para el sur de Europa.

Es fundamental entender la importancia de una economía de la deuda. La deuda es tan antigua como el capitalismo; de hecho, es anterior. Pero como relación de clase ha sufrido muchas transformaciones. Marx habla de la deuda nacional como un instrumento de acumulación primitiva, pero además es importante entender qué función juega hoy la deuda.

En el sentido de que se ha convertido en un instrumento de disciplina, ¿verdad?

Sí, la deuda es un instrumento de gobierno, un instrumento de disciplina  y un instrumento que instituye relaciones de clase disgregantes. Yo creo que este tercer aspecto de la economía de la deuda no ha sido suficientemente subrayado. Por ejemplo, Maurizio Lazzarato, en su trabajo La Fábrica del Hombre Endeudado, no destaca este aspecto. A lo que me refiero es a que, cada vez más, la deuda es una relación de clase en la que desaparece el trabajo, parece desaparecer la explotación (si bien la deuda es en sí un tremendo método de explotación) y desaparece la propia relación de clase porque instituye una relación individual con el capital, con la banca, en vez de una relación colectiva. Desaparece la cara reconocible del patrón, que ahora es el banco. Es un mecanismo que crea sentido de culpa en vez de empoderamiento.

Para mí ha sido muy importante entender cómo se pasa de una primera fase ligada a los planes de ajuste estructural, en la que la explotación se organiza a través de la deuda externa nacional, a una segunda etapa en la que el estado es sobrepasado y la deuda se convierte en una relación directa con la banca a través de la financiarización de la economía. La financiarización significa la crisis del modelo de estado del bienestar y supone que todo momento de reproducción es ya un momento de acumulación.

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Es decir, la explotación se traslada a todos los ámbitos de la vida a través de las tasas para estudiar, el copago sanitario, la hipotecas de por vida...

Eso es. En todos estos momentos reproductivos el Estado intervenía antaño como subvencionador, y ahora hace de recaudador. Es un intermediario de las finanzas. Una de las luchas que ha surgido a raíz del movimiento Occupy es la lucha contra la deuda. Una organización que se llama Strike Debt ha editado el libro The Debt Resisters que aborda cómo organizarse contra la deuda por la vivienda, los estudios, la salud, etc. Uno de los problemas de la deuda es que a la gente le da vergüenza reconocer que está endeudada porque lo vive como un fracaso personal: cree que han empleado mal el dinero del préstamo, que han hecho una mala inversión, que han vivido por encima de sus posibilidades... Esto hace que la deuda sea muy eficaz como modelo de explotación. Si, por ejemplo, pides un crédito para estudiar, ya estás atrapada: no vas a poder elegir el tipo de trabajo; tal vez necesites dos empleos, no te atreverás a reclamar derechos para no quedarte en paro porque tienes deudas, etc.

¿Conoces la Plataforma de Afectados por las Hipotecas? Ellas han conseguido entender que su situación no es un fracaso personal y convertirlo colectivamente en un problema de primer orden político.

Las he conocido estos días. He podido ir a sus asambleas y me parece una experiencia muy interesante. Igual que la PAH no sólo lucha sólo contra la deuda hipotecaria sino también por el acceso a una vivienda digna, no basta estar contra la deuda. Liberarse de la deuda necesita un complemento: el acceso a los bienes comunes. Si eliminamos la deuda pero no se crean relaciones sociales diferentes, la deuda vuelve a aparecer. Luchar contra la deuda requiere luchar a favor de una sociedad no mercantilizada.


"Lo público no es común, lo público es una forma de privatización en la que el propietario es el estado"

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La cuestión de los bienes comunes en tu obra es central. Sin embargo, era un tema al que no se le daba importancia cuando empezaste a ser activista.

En realidad, no hemos visto la importancia de los bienes comunes hasta que no hemos sentido que los perdíamos. Cuando la re-estructuración de la economía global se ha propuesto eliminarlos. Yo lo vi muy claramente en Nigeria. En África, México, los países andinos, La India... aún hay formas de propiedad comunitaria que están siendo cada vez más atacadas por una nueva oleada de cercamientos, de acumulación primitiva a través, precisamente, de la deuda. En Estados Unidos, el discurso sobre los commons fue relanzado desde los años 90 gracias a los zapatistas, que pudieron la cuestión en la agenda internacional de los movimientos sociales.

Pero cuando hablamos de los bienes comunes no hablamos sólo de las tierras comunales.
Eso es. A partir del movimiento antiglobalización hemos extendido el discurso sobre los bienes comunes como discurso antagonista al desmantelamiento del estado de bienestar. Entendimos que la lucha no debe limitarse a defender el mantenimiento de los actuales servicios públicos. El sistema del welfare de las décadas pasadas es profundamente discriminatorio. Fue pensado para reforzar la ética del trabajo, la ética de la explotación. Por ejemplo, el trabajo doméstico queda excluido del tipo de garantías que ofrecía el estado del bienestar. Ha sido ideado como complemento de la explotación salarial, no como garantía de derechos independientes del empleo. Las luchas contra la privatización tienen que ir más allá de la simple defensa de los servicios públicos: deben defender lo común. Porque lo público no es común, lo público es una forma de privatización en la que el propietario es el estado, que nosotros no controlamos.


"El cuerpo de las mujeres ha sido uno de los primeros territorios que ha intentado privatizar el estado"
En tu pensamiento resulta fundamental la cuestión del control del cuerpo de las mujeres.

El cuerpo de las mujeres ha sido uno de los primeros territorios que ha intentado privatizar el estado. La reapropiación de nuestro cuerpo debe encuadrarse dentro de esta óptica de reapropiación de los bienes comunales. El cuerpo debe ser nuestro. Ni del estado, ni del mercado.
 
Tú criticas que Marx no tuviera en cuenta la apropiación del cuerpo de las mujeres como hecho constitutivo del capitalismo.

Todo el discurso de Marx sobre la reproducción de la clase obrera es completamente naturalista. No ve la procreación como un terreno de lucha. No se da cuenta de que, en la sociedad capitalista, hombres y mujeres tienen intereses diferentes. Las mujeres tienen intereses específicos, existe una relación específica de explotación entre las mujeres y el estado, entre las mujeres y el capital. Marx afirma que el capital “deja en manos de la naturaleza” la reproducción. Naturaliza un proceso que, en realidad, siempre ha estado en el centro.

¿No es un proceso natural, sino una relación de clase?

Sí. Una relación de clase porque el capital trata de apropiarse del cuerpo de las mujeres y transformarlo en una máquina para producir las nuevas generaciones de trabajadores. Por eso los que mandan tienen tanto interés en regular la natalidad. ¿Por qué, si no, tienen tanto interés en condicionar la capacidad de las mujeres para decidir cuándo quieren parir? No estamos hablando del pasado, basta ver la reforma de la ley de aborto del PP. Las reformas de la ley del aborto se acompañan de procesos de esterilización forzosa en otras partes del mundo, gestionadas por el Banco Mundial, las agencias internacionales... Existe un interés internacional para impedir que las mujeres puedan decidir. Lo último es la obsesión por encontrar medios reproductivos de laboratorio; intentos que parecen de ciencia ficción de hacer nacer in vitro a personas sin necesidad de una madre. El cuerpo de las mujeres es la gran barrera que el capital no ha sido capaz de superar.

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La primera parte de tu libro Revolución Punto Cero está basada en tu activismo en pos de un salario para las trabajadoras domésticas. Sin embargo, la segunda parte se aleja un poco de esto cuando analizas la figura de las campesinas que trabajan las tierras comunales, que son millones en el mundo.

Sí, porque la segunda parte está escrita tras mi paso por Nigeria, al comprobar la importancia de las mujeres en la agricultura de subsistencia, que es parte del proceso de reproducción cotidiano en amplias zonas del planeta. Esto plantea nuevas preguntas a la estrategia de lograr un salario para el trabajo doméstico. Es la evolución de mi pensamiento desde los años 70 a mi activismo en el movimiento por otra globalización desde la década de los 90 hasta hoy. No niego la importancia de lograr reivindicaciones como el salario doméstico, pero le añado la cuestión de los bienes comunes. También es fruto de comprobar lo poco fiable que es el salario como garantía de derechos.


"Hay una parte de la derecha neoliberal que plantean la renta básica como sustitución de los derechos sociales. Te dan las migajas de la riqueza social y al mismo tiempo te excluyen de cualquier derecho que pueda suponer un mecanismo de reapropiación de la riqueza social"

En este sentido, ¿qué opinas sobre la renta básica?

Antes que nada, estoy en contra de una “renta de ciudadanía”. Porque ciudadanía excluye automáticamente a todas las personas migrantes que no son reconocidas como ciudadanos. En todo caso, renta básica... Pero es un concepto muy problemático por diferentes razones. Hay una parte importante de la derecha neoliberal que plantea ya la renta básica  —el propio Milton Fridman estaba a favor—. Se dan cuenta de que en el mundo hay una situación insostenible y plantean la renta básica como sustitución de los derechos sociales. Te dan las migajas de la riqueza social y al mismo tiempo te excluyen de cualquier derecho que pueda suponer un mecanismo de reapropiación de la riqueza social. Es una especie de caridad institucionalizada con la intención de taponar las luchas por los bienes comunes. Otro problema es que cualquier reivindicación es útil en la medida en que suponga formas de organización efectivas, y la renta básica es difícilmente organizable. No tiene la capacidad, como sí tenía la reivindicación del salario doméstico, de crear nuevas alianzas porque no tiene la capacidad de desvelar nuevas formas de explotación.

Otro riesgo es que, una vez más, esta reivindicación generalista oculte la especificidad de las reivindicaciones de las mujeres, en este caso del salario doméstico.

Exacto, pedir “renta para todos” desdibuja el derecho a una renta por el trabajo doméstico. Extiende un velo y dice “todos somos iguales”, relegando la reivindicación específica de las mujeres.
Cuando hablamos de las luchas ligadas a la reproducción nos encontramos con el problema de que no hay un instrumento equivalente a lo que para el movimiento obrero ha sido la huelga.

Este es un tema crucial que, sin embargo, apenas ha sido desarrollado por el feminismo. Ha habido voces, sobre todo en Italia y España desde los años 70, que han dicho “no hay huelga general si las mujeres ese día deben trabajar igual” o “si el trabajo reproductivo se para, toda la sociedad se detiene”. Pero no ha ido más allá de las declaraciones. Sí que ha habido luchas en sectores de trabajo feminizados que han planteado esto, por ejemplo las enfermeras. No se pueden aplicar a los trabajos de cuidados los mismos eslóganes que al trabajo productivo. Cuando nos dicen “si rechazas los trabajos reproductivos te niegas a cuidar de tus seres queridos” en realidad nos dicen que tenemos que aceptar nuestra explotación y la del resto.

El punto de partida es constatar que en el trabajo reproductivo contiene dos planos: la reproducción de la vida y la reproducción del capital. Estos dos procesos imbricados entre sí deben ser separados. La lucha empieza por separar ambos aspectos, comprobar que no se puede hablar del rechazo total del trabajo reproductivo. Hay que aprender a separar la reproducción para el mercado de trabajo de la reproducción fuera del mercado de trabajo o, incluso, contra el mercado de trabajo. El capitalismo ha subsumido estos dos aspectos y yo creo que es fundamental desgajarlos.

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La alternativa que ofrece el mercado a las mujeres de clase media o alta que rechazan los trabajos reproductivos es que otras mujeres, normalmente migrantes, los hagan por ellas.

Esto tiene relación con un tipo de feminismo creado en los años 80 para desactivar los aspectos subversivos que contenía el feminismo. Lo han domesticado y parte de esta domesticación ha sido equiparar la emancipación de la mujer al éxito laboral, siendo para ello necesaria la reorganización de los trabajos reproductivos, que recaen en las mujeres expropiadas de África, América Latina, etc. Aunque ciertamente, en estas nuevas dinámicas se han creado movimientos muy interesantes como las organizaciones internacionales de trabajadoras domésticas asalariadas que han dado continuidad a la reivindicación de un salario digno para las trabajadoras domésticas. Es decir, han continuado aquellas luchas que las feministas europeas habían abandonado. Esa nueva realidad de millones de mujeres que hacen trabajo doméstico asalariado plantea nuevas formas de organización y nuevos retos. El mayor de todos pasa por unir en una misma lucha a quien realiza labores domésticas pagadas y a quien las realiza sin cobrar por ello.

Las conclusiones de todo ello son varias. Uno: que el capitalismo es un sistema que debe ser abolido porque es un sistema que debe desvalorizar los trabajos reproductivos. Dos: que el proceso de lucha debe ser ante todo un proceso de reorganización de estas tareas en el sentido de eliminar el sentido capitalista de la reproducción. Debemos crear una nueva forma de cooperar, de habitar, de urbanizar, de cocinar, de compartir el barrio... Y tres: yo hablo siempre de la revolución feminista inacabada. Hace falta un nuevo movimiento feminista, no necesariamente sólo de mujeres, que vuelva a poner en el centro los trabajos reproductivos.

http://www.playgroundmag.net/musica/articulos-de-musica/entrevistas-musicales/el-cuerpo-debe-ser-nuestro-ni-del-estado-ni-del-mercado

 

sábado, 19 de abril de 2014

Capitalismo ?




Agora de manhã encontrei este post no Facebook, e de fato  vale a pena lembrar ideais anarquistas que dizem não à opressão, à falta de liberdade e soberania dos povos. 

Realmente parece que estamos perdendo de vista o real sentido da palavras. O chamado ‘capitalismo’ que impera nos dias de hoje não é capitalismo de fato, e até recebeu a alcunha de ‘capitalismo selvagem’. O que sim temos é um sistema mercantilista de poder mundial. Este sistema é composto por megacorporações juntamente com alguns Estados poderosos, o qual sem nenhum tipo de controle social possui um enorme poder sobre as organizações internacionais, os Estados, os governos, os sistemas políticos, a economia, a sociedade e a cultura. E de fato o poder é exercido de modo ‘tirânico’ sobre os países, subtraindo o direito à soberania nacional, a um Estado que efetivamente governe para o bem da sua população, para o bem de todos.  


Nos colocaram vendas nos olhos, calaram nossas bocas e moldaram nossos pensamentos. E assim acreditamos que não há o que fazer, que as coisas são assim mesmo e que o mundo não está tão ruim. E qual escravos que acreditam ser livres continuamos servindo os donos do poder e continuamos sendo engrenagens dessa fábrica de fome, guerras e miséria que assola grande parte da humanidade.



sábado, 22 de fevereiro de 2014

Casamento e Amor

GOLDMAN, Emma. “Marriage and love” in: Anarchism and Other Essays. New York: Dover Publications, 1969. p. 227.

Emma Goldman – Casamento e Amor

Publicado em setembro 29, 2010


CASAMENTO E AMOR
EMMA GOLDMAN

A noção popular em torno do casamento e do amor é a de que eles são sinônimos, que eles afloram das mesmas razões e preenchem as mesmas carências humanas. Como tantas outras noções populares, também esta não repousa em fatos concretos, mas sob superstições.

Casamento e amor não possuem nada em comum; estão tão apartados como pólos; e de fato, são antagônicos entre si. Sem dúvidas, certos casamentos são resultado do amor. Entretanto, não é porque o amor só se afirma em casamento; é antes porque poucas pessoas conseguem superar completamente uma convenção. Para um grande número de homens e mulheres hoje em dia, o casamento nada é senão uma farsa, mas a ele se submetem por amor à opinião pública. Em todo caso, enquanto é verdade que certos casamentos baseiam-se no amor e enquanto é igualmente verdade que certas vezes o amor continua durante a vida conjugal, eu sustento que isso se dá independentemente do casamento e não devido a ele.

Por outro lado, é completamente falso que um casamento possa resultar em amor. Um caso milagroso se faz ouvir, em raras ocasiões, de cônjuges se apaixonarem depois de já estarem casados, mas num exame minuncioso encontraremos aí um mero ajuste ao inevitável. Certamente a habituação mútua estará bem distante da espontaneidade, da intensidade e da beatitude do amor, sem os quais a intimidade do casamento se revelaria degradante para ambos homem e mulher.
O casamento é em primeiro lugar um arranjo econômico, um contrato de seguro. Só difere do contrato comum precisamente naquilo que este tem de mais compulsório, de mais exigente. Os retornos são insignificantemente pequenos se comparados ao investimento. Quando contratamos uma apólice de seguro, pagamos por ela em dólares e centavos, mas sempre nos resta a liberdade de descontinuar o pagamento. Contudo, se o prêmio do seguro for um marido, a mulher pagará por isso com o seu nome, com a sua privacidade, com a sua auto-estima e com sua própria vida “até que a morte os separe”. Além do que, o contrato do casamento a condena a uma dependência vitalícia, ao parasitismo, a completa inutilidade individual bem como social. O homem paga também a sua parte, mas como sua esfera é maior, o casamento não o limita tanto como à mulher. Ele sente suas correntes pesarem mais num sentido econômico.

E assim o mote do Inferno de Dante se aplica ao casamento com a mesma força. “Deixai toda esperança, ó vós que entrais!”.

Somente alguém coompletamente estúpido negaria que o casamento é um fracasso. Basta relancear a vista sobre as estatísticas do divórcio para compreender como é verdadeiramente amargo um casamento fracassado. Tampouco o argumento filisteu estereotipado, o da lassidão das leis do divórcio e o da crescente frouxidão da mulher, dará conta do fato de que: em primeiro, cada décimo segundo casamento termina em divórcio; segundo, que desde 1870 os divórcios cresceram de 28 para 73 a cada população de cem mil; terceiro, que o adultério, desde 1867, como causa do divórcio cresceu 280.7 por cento; quarto, que a deserção aumentou em 369.8 por cento.
Somado a estes números surpreendentes, há ainda um vasto material dramático e literário melhor elucidando o assunto. Robert Herrick, em Together; Pinero, em Mid-Channel; Eugene Walter, em Paid in Full, e dezenas de outros escritores estão discutindo a aridez, a monotonia, a sordidez, e a inadequação do casamento como fator de harmonia e entendimento.

O estudioso social sério não se contentará com a superficial desculpa popular para este fenômeno. Ele terá de escavar a vida mesma dos sexos profundamente adentro para conhecer o porque de o casamento revelar-se tão desastroso.

Edward Carpenter diz que, por detrás de todo casamento, persiste uma ambiência vitalícia dos dois sexos; ambiências tão diferentes entre si que homem e mulher permanecem estranhos. Separados por uma muralha intransponível de superstição, costume, e hábito, o casamento não tem a potencialidade de desenvolver o conhecimento e o respeito mútuo, sem o que toda união está destinada ao fracasso.
Henrik Ibsen1, o inimigo de toda farsa social, foi provavelmente o primeiro a conceber esta grande verdade. Nora largou o marido, não porque – como queria a crítica estúpida – estaria cansada de suas responsabilidades ou sentia a necesidade dos direitos da mulher, mas porque veio saber que, durante oito anos convivera com um estranho e agora deu a luz a uma criança sua. Pode haver qualquer coisa de mais humilhante, de mais degradante do que a proximidade vitalícia entre dois estranhos? Não é preciso que a mulher conheça nada do homem, salvo sua renda. Quanto ao conhecimento da mulher – o que há para se conhecer exceto se ela possui uma boa aparência? Não superamos ainda o mito teológico de que a mulher não possui alma, que ela é meramente um apêndice do homem, feita de sua costela apenas para sua conveniência, este que de tão forte ficara com medo da própria sombra.
Porventura da má qualidade do material, donde a mulher tornou-se responsável por sua própria inferioridade. Em todo caso, mulher não tem alma – o que há para se conhecer nela? Além do que, quanto menos alma tem uma mulher, maior seu tino para esposa, o mais prontamente irá absorver-se ao marido. É essa servil aquiescência à superioridade do homem que manteve a instituição do casamento aparentemente intacta por um tempo tão longo. Mas agora que a mulher está vindo a si, agora que ela está cada vez mais consciente de si como um ser exterior à graça do mestre, a sagrada instituição do casamento gradualmente vai sendo minada, e nenhum bocado de lamentação sentimental poderá evitá-lo.

Quase que desde a infância, é dito às garota comuns que o casamento é o seu objetivo final; portanto seu treino e sua educação têm de ser direcionados para esse fim. Como a besta muda na engorda, vai sendo preparada para o abate. Mas para ela, estranho dizer, é permitido conhecer muito menos sobre sua função como esposa e mãe do que para o artesão comum sobre seu ofício. Para uma garota respeitável, é indecente e imundo conhecer qualquer coisa da relação marital. Oh, pela incoerência da respeitabilidade, requerer votos de casamento para tornar algo imundo no mais puro e sagrado arranjo que ninguém ousa questionar ou criticar. Mas é exatamente esta a atitude do entusiasta comum do casamento. A futura esposa e mãe é mantida na mais completa ignorância em torno de sua única inclinação no campo competitivo — o sexo. E assim ela entra numa relação vitalícia com um homem para ver-se chocada, repelida e ultrajada além da medida por seu instinto mais saudável e natural, o sexo. É seguro dizer que uma grande percentagem da infelicidade, miséria, aflição e sofrimento físico do matrimônio se devem à ignorância criminosa em matéria de sexo que anda sendo exortada como uma grande virtude. Tampouco é de todo um exagero quando digo que devido a este fato deplorável, mais de um lar foi desfeito.

Entretanto, se a mulher for livre e grande o bastante para aprender sem a sanção do Estado ou da Igreja o mistério do sexo, será condenada como absolutamente imprópria para ser esposa de um “bom” homem, sua bondade consistindo de um cérebro vazio e uma carteira cheia. Poderia haver alguma coisa mais ultrajante do que a idéia de que uma mulher saudável, em plena idade, cheia de paixão e vida, ter de negar as exigências da natureza, ter de reprimir seu desejo mais intenso, minar sua saúde e quebrantar seu espírito, ter de aturdir sua visão e abster-se da profundidade e da glória da experiência do sexo, até que venha um “bom” homem para tomá-la como esposa? É precisamente isto o que significa o casamento. Como poderia um arranjo como este terminar exceto em fracasso? Este é apenas um fator, embora não o menos importante, que diferencia o casamento do amor.
A nossa era é prática. O tempo em que Romeu e Julieta arriscaram-se à fúria dos pais por amor, em que Gretchen expõs-se ao falatório dos vizinhos por amor, já era. Se, em raras ocasiões, pessoas jovens se permitem à luxúria do romance, em seguida os mais velhos cuidam para que, após pregados e martelados, se tornem “sensatos”.

A lição moral instilada na garota não é a de se o homem arrebatou o seu amor, mas: o “Quanto?”. O único Deus importante da vida prática americana: o homem consegue ganhar a vida? Consegue sustentar uma esposa? Esta é a única coisa que justifica o casamento. Gradualmente isto de todo satura o pensamento da garota; seus sonhos já não são de luares e beijos, risos e lágrimas; agora sonha em ir às compras e às boas pechinchas. Tal sordidez e pobreza da alma são elementos inerentes à instituição do casamento. O Estado e a Igreja aprovam esse ideal e não outro, simplesmente porque esse é o ideal que necessita que o Estado e a Igreja controle homens e mulheres.

Indubitavelmente há as pessoas que continuam considerando o amor superior a dólares e centavos. E isto é particularmente verdade para a classe daqueles cuja necessidade econômica forçou a que se auto-sustentassem. A tremenda mudança na posição da mulher operada por este poderoso fator é, de fato, fenomenal quando refletimos que há só um curto período desde o ingresso da mulher na arena industrial. Seis milhões de mulheres assalariadas; seis milhões de mulheres com direitos iguais aos homens de serem exploradas, roubadas, ir à greve, e ai, até mesmo de passar fome. Algo mais, my lord? Sim, seis milhões de trabalhadoras em todas as ocupações, desde o mais elevado trabalho intelectual até as minas e ferrovias, até mesmo detetives e policiais. Com certeza a emancipação está completa.

Apesar disso tudo, só um número muito pequeno do vasto exército das mulheres trabalhadoras enxerga o seu trabalho como situação permanente, na mesma luz que um homem o faz. Não importa quão decrépito seja este último, ele foi ensinado a ser independente, a se auto-sustentar. Oh, eu sei que ninguém é verdadeiramente independente em nossa moenda econômica; e mesmo o espécime mais miserável de homem odeia ser um parasita; ou, em todo caso, pelo menos ser reconhecido como tal.

A mulher considera transitória sua posição como trabalhadora, a ser deixada de lado pelo primeiro pretendente. É este o porque de ser infinitamente mais difícil organizar mulheres do que homens. “Porque devo me filiar a um sindicato? Vou me casar, ter um lar”. Ela desde a infância não foi ensinada a enxergar isso como sua convocação última? Ela aprende cedo o bastante que, apesar de não tão grande como a prisão de uma fábrica, o lar tem portões e grades ainda mais sólidas. Possui um guardião tão fiel que nada lhe pode escapar. A parte mais trágica, entretanto, é que o lar não a liberta da escravidão assalariada; apenas aumenta seus afazeres.

De acordo com as mais recentes estatísticas submetidas diante de um Comitê “em torno do trabalho, salários e congestão da população”, apenas em Nova York, dez por cento das trabalhadoras assalariadas são casadas, ainda que continuem no trabalho mais mal pago do mundo. Some a esta visão horrível o peso do serviço doméstico e o que resta da proteção e da glória do lar? Como matéria de fato, até a garota classe-média não pode falar sobre um lar seu no casamento, desde que é o homem que cria sua esfera. Não é importante se o marido é um bruto ou um doce. O que desejo provar é que o casamento só garante um lar à mulher pela graça do marido. Ela gira em torno do lar dele, ano após ano, até que sua visão de vida e de relações humanas se torne tão rasa, estreita, e tediosa, como seu entorno. Pouco admira se ela vir a ser resmungona, trivial, arengueira, faladeira, insuportável, e expulsando assim o homem da casa. Se ela quisesse, não poderia ir; não há lugar para onde ir. Além do que, um curto período de vida conjugal, de completa rendição de todas as faculdades, incapacita absolutamente a mulher comum para o mundo exterior. Ela se torna indiferente à aparência, desajeitada em seus movimentos, dependente em suas decisões, covarde em seu julgamento, um fardo e um aborrecimento, cuja maioria dos homens cresce para odiar e desprezar. Atmosfera maravilhosamente inspiradora para o desenrolar da vida, não?

Mas e a criança, como será protegida sem o casamento? Afinal de contas, não é esta a consideração mais importante a se fazer? A farsa, a hipocrisia! O casamento protegendo a criança, mas centenas de crianças abandonadas e sem lar. O casamento protegendo a criança, mas orfanatos e reformatórios lotados, a Sociedade pela Prevenção de Crueldade a Criança ocupadíssima resgatando as pequenas vítimas dos pais “amorosos”, para colocá-las sob cuidados aindamais amorosos, como os da Gerry Society2. Oh, mas que pilhéria!

Pode até ser que o casamento leve o cavalo até a água, mas conseguirá fazer com que a beba? A lei coloca o pai na detenção,  veste-o com uniforme penitenciário; mas alguma vez matou a fome de seus filhos? Se o pai não tem emprego, ou se oculta sua identidade, o que faz então o casamento? Invoca a lei para levar o homem à “justiça”, colocá-lo em segurança atrás dos portões fechados; seu trabalho, no entanto, não vai para criança, mas para o Estado. A criança só recebe uma memória enferrujada das listras do pai.

Com relação à proteção da mulher — aí reside a verdadeira maldição do casamento. Ele não as protege em absoluto, e essa idéia mesma é tão revoltante  quanto um ultraje e um insulto à vida, tamanha degradação ele promove à dignidade humana, que se declara para sempre esta instituição como parasitária.

Bem como aquele outro arranjo paternalista — o capitalismo. Rouba os direitos do homem, aturde seu crescimento, envenena seu corpo, o submete à ignorância, à pobreza, à dependência, e então vai e promove caridades que vingam sobre os últimos vestígios do auto-respeito humano.

A instituição do casamento faz da mulher uma parasita completa, uma dependente absoluta. Incapacita-a para a luta da vida, aniquila a sua consciência social, paralisa a sua imaginação, e então vai e concede sua graciosa proteção que na realidade é meramente uma armadilha, travestida de caráter humano.

Se a maternidade é a mais elevada realização da natureza da mulher, que outra proteção exigiria além de amor e liberdade? O casamento só contamina, ultraja, e corrompe esta realização. Não é ele que diz à mulher: somente darás à luz se me seguires? Não é ele que a degrada e a humilha quando ela se recusa a vender-se junto com seu direito à maternidade? Não é o casamento apenas uma sanção para a maternidade, até mesmo quando a criança é concebida por ódio, por compulsão? Mas quando a maternidade é fruto da livre escolha, do amor, do êxtase, da paixão desafiante, não é o casamento que vai e encrava uma coroa de espinhos numa cabeça inocente e grafa em letras de sangue o epíteto hediondo de Bastardo? Posto que o amor contivesse o casamento todas as virtudes alegadas, seus crimes contra a maternidade bastariam para excluí-lo eternamente do reino do amor.

Amor, o mais forte e mais profundo elemento de toda a vida, o anunciador da esperança, da alegria, do êxtase; amor, o desafiador de todas as leis, de todas as convenções; amor, o libérrimo, poderosíssimo modelador do destino humano; como pode uma força que a tudo compele ser sinônimo daquela pobre erva daninha gerada pela Igreja e o Estado, o casamento?

Amor livre? Como se o amor pudesse ser de outro modo que não livre! O homem comprou cérebros, mas todos os milhões de cérebros do mundo fracassaram em comprar o amor. O homem subjugou corpos, mas todo o poder na terra foi incapaz de subjugar o amor. O homem conquistou nações inteiras, mas todos os seus exércitos não conseguiram conquistar o amor. O homem agrilhoou e acorrentou e o espírito, mas é absolutamente indefeso diante do amor. Do alto dos trono, com todo o esplendor e a pompa que o ouro pode comandar, o homem ainda é pobre e desolado se o amor não o perpassa. Mas quando o amor permanece, o casebre mais pobre irradia calor, cor e vida. E assim, o amor possui o poder mágico de tornar um mendigo em um rei. Sim, o amor é livre; não pode habitar outra atmosfera. Em liberdade se dá sem reservas, abundantemente, completamente. Todas as leis nos estatutos, todos os tribunais do universo, não podem arrancá-lo da terra, uma vez que o amor finque suas raízes. Entretanto, se o solo é estéril, como poderia o casamento fazê-lo fruir? Seria como a última luta desesperada da fugacidade da vida contra a morte.

O amor não precisa de proteção; ele é sua própria proteção. Tão logo vidas sejam geradas pelo amor, nenhuma criança é desertada, passa fome ou vontade de afeto. Que isto é verdade, eu o sei. Conheço mulheres que se tornaram mães em liberdade dos homens que amaram. Poucas crianças na relação aproveitam o cuidado, a proteção e a devoção que a maternidade livre é capaz de conceder.
Os defensores da autoridade temem o advento da maternidade livre, com receio de que ela roube suas vítimas. Quem combateria nas guerras? Quem geraria a riqueza? Quem faria o papel do policial, do carcereiro, se a mulher se recusasse à reprodução indiscriminada de crianças? A raça, a raça! – grita o rei, o presidente, o capitalista, o padre. A raça deve ser preservada, embora a mulher degradada à mera máquina reprodutora — e a instituição do casamento é a nossa única válvula de segurança contra o pernicioso despertar sexual da mulher. Mas em vão todos estes esforços frenéticos para perpetuar um estado de sujeição. Em vão, também todos os éditos da Igreja, o enlouquecido ataque dos governantes, em vão, até mesmo os braços da lei. A mulher já não quer mais tomar parte na reprodução de uma raça de seres humanos doentis, débeis, decrépitos, miseráveis, que não possuem nem a coragem nem a força moral para se libertarem de seus fardos de pobreza e  escravidão. Pelo contrário, ela deseja ter poucas crianças, mas crianças superiores, geradas e criadas no amor e pela livre escolha; não por compulsão, como imputa o casamento. Nossos falsos-moralistas ainda têm de aprender o profundo senso de responsabilidade com a criança que o amor em liberdade despertou no seio da mulher. Seria melhor renunciar para sempre a glória da maternidade do que dar à luz numa atmosfera onde só se pode respirar destruição e morte. E se ela se torna mãe, é para dar à criança o mais profundo e o melhor que seu ser pode oferecer. Crescer com a criança é seu mote; e ela sabe que somente desse modo é que pode ajudar a construir a verdadeira masculinidade e feminilidade.
Ibsen deve ter vislumbrado uma mãe livre, quando, num golpe de mestre, retratou Ms. Alving3. Ela foi uma mãe ideal por superar o casamento e todos os seus horrores, por romper suas correntes, e libertar o espírito para voar, até que uma personalidade, regenerada e forte, lhe retornasse. Ai! Foi demasiado tarde para recuperar sua alegria de viver, seu Oswald; mas não demasiado tarde para compreender que o amor em liberdade é a única condição para uma vida bela. Aquelas que, feito Ms. Alving, que pagaram com sangue e lágrimas por seu despertar espiritual, repudiam o casamento como uma imposição e uma pilhéria sem graça, de baixo nível. Elas sabem que apenas o amor, quer dure apenas um breve espaço de tempo ou dure pela eternidade, é a única base criativa, inspiradora e elevada para uma nova raça e para um novo mundo.

Em nosso presente estado pigmeu, para a maioria das pessoas, o amor é, de fato, um estranho. Incompreendido e evitado, raramente finca suas raízes, e quando o faz, tão logo seca e morre. Suas fibras delicadas não suportam o stress e a tensão do cotidiano maçante. Sua alma é complexa demais para ajustar-se à trama viscosa de nosso tecido social. O amor lamenta, sofre e chora por aqueles que dele precisam, mas carecem da capacidade de elevar-se aos seus cumes mais altos.

Um dia, um dia homens e mulheres se elevarão, eles alcançarão o pico da montanha, se encontrarão grandes e fortes e livres, prontos para receber, partilhar, e refestelar-se nos raios dourados do amor. Que fantasia, que imaginação, que gênio poético pode entrever, ainda que aproximadamente, as potencialidades de tal força na vida dos homens e mulheres. Se o mundo alguma vez dará à luz a verdadeira união e companheirismo, não será o casamento, mas o amor a concebê-lo.


Notas do Tradutor:
1.      Henrik Ibsen (1828-1906), literato escandinavo conhecido por sua tendência anarquista-individualista. A autora faz uma análise mais demorada da obra de Ibsen em seu livro “The Social Significance of the Modern Drama”. N. do T.
2.      Referência a New York Society for the Prevention of Cruelty to Children, reconhecida como a primeira instituição devotada à “proteção do menor” nos E.U.A., em atividade desde 1874. Gerry Society é um outro modo de referir-se à mesma instituição. N. do T.
3.      Ms. Alving é personagem de Ibsen na obra “Ghost”, uma análise desta obra e desta personagem encontra-se em livro já mencionado. N. do T.
Texto original: GOLDMAN, Emma. “Marriage and love” in: Anarchism and Other Essays. New York: Dover Publications, 1969. p. 227.

Tradução: José Paulo Maldonado de Souza